Um dos desafios de produtores e entusiastas de vinhos é desburocratizar a bebida e a consequência disso é que a harmonização está se popularizando. Há séculos o vinho é o acompanhante ideal para as refeições e o artifício de combinar o vinho com a gastronomia é um tema que desafia os amantes há muito tempo. Há sim regras básicas e também preconceitos complexos. Muito se escuta que o branco é para peixes e aves, e o tinto para carnes vermelhas, mas saiba que isso não é uma regra. Harmonizar na verdade é encontrar o equilíbrio entre o vinho e a comida.
O vinho possui sabores, texturas e aromas próprios, de acordo com as características de sua fabricação, desde o cultivo das uvas até o processo de criação utilizado. Diante de tanta variedade de vinhos, é comum não sabermos qual combina mais com determinado prato. Por isso quero deixar aqui a importância da Enogastronomia: Que é a arte em harmonizar vinhos e os alimentos numa mesma refeição aliando cores, toques e alegria.
Para cada sabor um vinho diferente para equilibrar. As massas e carnes combinam com vinhos tintos e por conta do sabor das carnes, os vinhos potentes e complexos são os mais adequados, se a massa leva molho vermelho, combine com um vinho tinto menos ácido. Se o molho é mais cremoso, use um vinho mais ácido. Peixes combinam com vinhos brancos, mas como discorri acima isso não é uma regra. Pratos leves pedem vinhos jovens enquanto pratos fortes combinam com vinhos encorpados. Podemos usar, por exemplo, a famosa feijoada brasileira que é um prato forte que combina com laranja. Assim, um vinho tinto encorpado ou um vinho branco cítrico vai bem com ela.
Vinhos mais estruturados ressecam mais as papilas gustativas – Esses vão bem com comidas mais gordurosas e “molhadas”. Por isso também não é qualquer queijo que combina com qualquer vinho: os queijos mais duros e mais gordurosos são excelentes com os vinhos mais encorpados, enquanto os vinhos mais ligeiros são melhores degustados com queijos moles. O próprio fondue de queijo é uma boa pedida para acompanhar vinhos leves.
Por mais que as orientações básicas sejam úteis, é importante termos em mente que elas não levam em consideração uma serie de fatores importantes para a realização de harmonizações mais específicas. As sugestões não devem ser encaradas como regras, mas apenas como uma direção, pois somos livres para criar novas combinações e a melhor harmonização sempre será a que mais agradar seu paladar, fica a dica.

“Uma refeição sem um vinho ao lado é como um dia sem os raios de sol” – Jean – Anthelme Brillat – Savarin

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