Fim de ano e todos os encontros são regados a vinhos ou espumantes, sejam confraternizações, jantares ou as próprias ceias de Natal e de Ano Novo. Mas aí surgem as famosas dúvidas: qual rótulo escolher? Como harmonizar?

Para resolver de vez o assunto, convidamos o sommelier Rafael Sá, da Pires de Sá Vinhos, com dicas e sugestões pra lá de úteis!

Na ceia de Natal, por exemplo, há muitos tipos de comida: panetone, arroz com lentilha,
com uvas passas, lombo, bacalhau, cordeiro… e, em quase todas as ceias, há pratos
agridoces, como lombo com molho de abacaxi. Portanto, a harmonização não é tão
convencional assim. Vinhos muito doces ou muito secos e encorpados não são bons.
Vinhos muito leves ou muito pesados destoam da ceia. “Dê preferência para vinhos de
médio corpo e semi frutados. É permitido usar vinho branco ou verde com o bacalhau,
por exemplo. No salmão ou no bobó, um rosé. Para o resto, um tinto”, exemplifica
Rafael.

Duas ótimas opções para noites de calor são um bom rosé ou um bom branco, que têm
boa acidez. Quanto aos tintos, a uva Primitivo harmoniza com vários pratos da ceia,
inclusive com molhos agridoces. Os portugueses do Alentejo são equilibrados e valem a
pena. O Romeira, por exemplo, é um alentejano maravilhoso. Já a região do Dão possui
vinhos que mesclam madeira e fruta, acompanhando todos os pratos. O Catedral
Reserva DOC tem um ótimo custo benefício.

Mas o curinga das confraternizações é mesmo o espumante. Na hora dos patês de
entrada, o belo e borbulhante amigo é fácil de beber e agrada tanto a quem conhece de
vinho quanto a quem não conhece. E tomá-lo a noite inteira não há problema, já que ele
é menos alcoólico. “O novo Nero Celebration está muito interessante, bem frutado e
jovem”, diz Rafael. “Ou um espumante mais intenso, como o Freichenet Cordon Negro,
uma cava espanhola com bastante intensidade, com aromas de frutas secas e amêndoas.
Ou o 130 Casa Valduga, que é hors concours.”

Mas, para quem vai passar a ceia na casa de amigos, não há como saber o que vai ser
servido. “Quando você não sabe o paladar da pessoa, leve um espumante. Caso ele
esteja quente, a pessoa pode guardar. Se estiver gelado, ela vai entender que é pra tomar
na hora.” Mas, para quem não abre mão do vinho tinto, o bom é levar uvas mais leves,
como a Tempranillo, uva espanhola de fácil acesso. “O Vega Murilo é encorpado, mas
nada em excesso, e possui um rótulo bem chamativo. O Taurus Roble é da região de
Toro, da uva tinta de Toro, e também é uma ótima opção.”

Mas, se você é fã da parte doce da ceia, como os pavês, bolos e panetones de chocolate,
o ideal é harmonizar com um tinto licoroso ou com vinho do porto. “A Casa Valduga
tem um rótulo chamado Tinto Licoroso que vai super bem com chocolate, trufas, entre
outros.” Já a rabanada é difícil de harmonizar, devido ao excesso de ovos e de açúcar. O
ideal, com ela, seria o espumante, porque ele limpa o doce da iguaria, ajudando a
ressaltar seu sabor a cada mordida. Para os ousados, que preferem uma harmonização
mais inusitada, vinhos com aromas de nozes e castanhas fazem a vez com a rabanada. O
Hermon, da Galileia, é ideal.

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